Em uma conversa recente o Fábio Camara me indicou um artigo do Fowler para ler. Se você não sabe quem é o Fowler, visite o site dele, busque seu legado (livros, artigos, etc) e vai perceber que o cara é uma bruta referência no mundo do desenvolvimento de software. Enfim, o artigo é intitulado “Who needs an architect?”, ou, “Quem precisa de um arquiteto?”, e sendo recomendado pelo Fábio e escrito pelo Fowler, não dá para deixar de ler, certo?

De cara, quando o Fábio falou o nome do artigo eu respondi a ele (antes de ler o artigo): qualquer software que contenha um mínimo de complexidade precisa ser acompanhado por um arquiteto de soluções. No que ele retrucou que eu ainda não tinha lido o artigo. Oras, como eu poderia conceber que não precisamos de arquitetos? É isso que eu mais faço, é minha paixão, é o que eu faço melhor em desenvolvimento de software: eu construo arquiteturas que entregam soluções que funcionam, focando em todos aqueles conceitos que já conhecemos: facilidade de manutenção, escalabilidade, segurança, confiabilidade, etc, etc.

Pois é, agora eu li o artigo. Percebo que o grande problema que o artigo tenta atacar é a ambiguidade da palavra arquiteto. O Fowloer propõe então uma palavra alternativa: “guide”. O artigo do Fowler contrapõe o arquiteto que constrói um sistema com bases fortes que não devem mudar e o que contrói um sistema com bases fortes e que sabe que elas vão mudar. Contrapõe o arquiteto “todo-poderoso” e o arquiteto colaborativo. E contrapões mais um monte de outras coisas. Acho que a leitura vale a pena, já que acrescenta à discussão da ambiguidade da arquitetura.

Por acaso, a última edição do Architecture Journal (do qual eu já havia falado antes) fala do papel do arquiteto. (Pegue a sua edição aqui - ainda não saiu em português, mas costuma sair logo. Ele é gratuito e você pode até receber uma cópia impressa em casa sem custo algum, nem postagem.) O site Skyscrapr, da Microsoft, também já tocou no assunto da ambiguidade da palavra, e separou os arquitetos em três: soluções, corporativos e infraestrutura.

Eu acho que precisamos sim de arquitetos, e precisamos de uma lingua mais rica também. Desde sempre definir coisas diferentes pelo mesmo nome causa confusão. Não acho “guide” um bom nome para o papel de um profissional colaborativo responsável por arquitetura. O assunto não se esgota fácil, então termino por aqui, deixando a discussão no ar. Há de montes de montes para enriquecer a discussão. O que você acha?


Postado na(s) categoria(s) Arquitetura pelo Giovanni Bassi em 4 de junho de 2008 às 15:34 | Tags: , ,

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Quem é Giovanni Bassi

Giovanni Bassi Sou uma pessoa apaixonada por tecnologia e especificamente por .Net. Gerencio uma fábrica de software, gosto muito de arquitetura e engenharia de software, publico artigos e edito a .Net Magazine. Dou umas palestras e cursos de vez em quando, e quando dá tempo eu respiro um pouco. Mais detalhes nesta página.

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