Meu post anterior resultou em alguns comentários interessantes. Nele eu disse que se um desenvolvedor quer virar gerente de projetos você tem problemas. Como pode ter muita gente que discorda do que eu disse e não comentou, resolvi, em vez de responder aos comentários, fazer este post. Aproveito aos que não comentaram e não concordam, a saírem do modo read-only e comentarem. Assim como os que concordam também.

A maior parte dos comentários passou pelo fato de eu estar generalizando, como de fato estava, e que nem sempre o caso cairia em uma das duas situações. Bom, toda regra tem suas exceções, mas eu sustento que as duas opções que dei atendem a imensa maioria do mercado. Eu resumi as opções assim:

"Em resumo: o cara quer ganhar mais, e você perdeu um desenvolvedor e ganhou um mau gerente; ou o cara não gosta do que faz e você perdeu um desenvolvedor e a empresa pode ou não ganhar um bom gerente."

Vou pular a discussão sobre remuneração, porque ela desperta menos polêmica. Seguindo na outra, bem mais interessante:

Porque eu não acho que uma pessoa com talento para gestão de projetos pode ser também um bom desenvolvedor? Porque eu acho que uma pessoa que ama codificar não dá um bom gerente de projeto? Porque?

Porque, como diz o título deste post, gerenciar projetos não tem nada a ver com desenvolvimento de software. Gestão de projetos sequer devia ser ensinada como parte de um currículo de tecnologia, e sim de administração de empresas, algo que já está começando a acontecer nas melhores faculdades. Gestão de projetos não tem nada, N-A-D-A, em comum com tecnologia. Ainda assim, os cursos nasceram em TI, e seguem focados em TI. E muitos codificadores vêem o cargo de gerente de projetos como progressão natural na carreira. Entendo que algumas pessoas busquem esta profissão, afinal, todo projeto precisa de um gerente de projetos (isso não é verdade, mas vou assumir como verdade e comento no final). Os codificadores estão, o tempo todo, trabalhando lado a lado com um GP. É natural que alguns se interessem.

A questão é que são coisas muito diferentes. As competências exigidas de um GP são absolutamente diferentes - senão opostas - às esperadas em um desenvolvedor de software. O primeiro deve saber lidar muito bem com pessoas, liderá-las, ser extremamente bem organizado, político e ter capacidade de raciocínio subjetivo, adorar se comunicar, gostar de fazer cálculos financeiros e projeções, e ter prazer em trabalhar com regras sociais. Do segundo espera-se análises concretas, lógica apurada, raciocínio rápido, capacidade de trabalhar longas horas focado na solução de um problema, ser interessado em maneiras novas de resolver velhos problemas, amar tecnologia, ser criativo dentro de um padrão lógico. Essas qualidades todas podem existir em uma única pessoa? Podem. É comum que isso aconteça? Não. Em geral são pessoas muito diferentes.

Aos que discordam de mim, e vão seguir este caminho, deixo uma mensagem clara: investigue, dentro de si mesmo, se você quer abandonar o Visual Studio, e passar a usar o Word e o Outlook o dia inteiro como principal ferramenta de trabalho. Se é capaz de, em vez de executar, somente assistir à execução. De ficar de fora do caminho de quem faz, e, na verdade, auxiliá-lo quando ele tiver problemas. Gerenciar não é mandar, é facilitar. Diante disso, acredito muito na figura do líder servidor. Você é capaz de servir à equipe, de, em vez de mandar, correr atrás do que eles precisam? Você vê um dia de trabalho que o dia inteiro foi gasto em reuniões de orçamentação como um dia divertido? E outro dia passado revisando performance do time com o RH? E outro ainda realizando resolução de conflitos interdepartamentais? Essas são tarefas de um gerente, e é bom que ele goste, ou vai viver infeliz, como acontece frequentemente. O trabalho tem uma visão interessante, quase romântica, mas será que os que o aspiram já se imaginaram nele pelo resto da vida? E se vê, então investigue em si mesmo o oposto: você realmente gosta de codificar? É algo que faz por paixão, do qual sente falta se fica algum tempo sem fazer? É algo que te dá prazer e gratificação?

Se você se vê nessa posição de gerente e gosta do que vê, perfeito! No entanto, não entendo ser possível que o ideal de felicidade de alguém seja ao mesmo tempo passar o dia em orçamentação e passar o dia codificando. São coisas muitos diferentes. É por isso que eu disse: uma das duas coisas essa pessoa não vai gostar de fazer. Eu jamais recomendo a uma pessoa que é apaixonada por codificação que trabalhasse em um cargo gerencial. Como não recomendo a alguém apaixonado por gerenciar pessoas que codifique.

Há uma pergunta que costumo fazer à pessoas que entrevisto: Você codifica nas horas vagas? Se a resposta é não, eu quero saber o porque. Isso diz muito sobre o quanto você gosta do que faz. Da mesma forma que gerentes apaixonados pela gestão financeira fazem planilhas para controlar seus gastos pessoais, programadores apaixonados às vees automatizam pequenas coisas com programas que fizeram, avaliam uma nova linguagem só porque ela parece interessante, e quando vêem um código na tela do cinema tentam entender o que ele quer dizer.

 

Apenas para fechar: Volto ao tema de projetos de software precisarem de um gerente de projetos. Não precisam. O mundo de TI está começando a perceber agora, conforme as metodologias ágeis afundam a figura do gerente de projetos e escancaram o fato de que times autogerenciáveis são muito mais eficientes. Esse perfil em TI vai virar peça de museu conforme percebe-se que o modelo baseado na figura controladora, responsável por ações de comando-e-controle, que o GP representa na maioria das organizações, é improdutiva, além de dispensável. Você pode até não concordar, mas somente se já viveu dos dois lados do muro (e nesse caso gostaria de ouvir suas experiências concretas).
Eu? Acredito na figura do facilitador de projetos, do derrubador de barreiras, algo que em Scrum chamamos de ScrumMaster. E ele não é um gerente de projetos.


Postado na(s) categoria(s) Carreira , Gestão de projeto pelo giovanni bassi em 7 de maio de 2009 às 00:52 | Tags: ,

Comentários


maio 7. 2009 02:48
Leandro Daniel
Fala Giovanni, tudo bem?

Ok com relação a sua explicação sobre a generalização do primeiro post (para a maior parte das pessoas cabe o que você colocou, mas não é regra). Confesso que quando li aquilo fiquei muito incomodado, pois me considero um desenvolvedor (e desenvolvo todos os dias, e farei isso sempre, por paixão e satisfação pessoal) contudo há anos que desenvolvi minhas aptidões como gerente (coordenador, ou líder, se preferir) porque acredito que um profissional não se constitui apenas de uma faceta: a técnica. Na minha opinião, um profissional tem, além da faceta técnica, uma outra que representa sua experiência (adquirida com o tempo) e uma terceira faceta relacionada às suas características humanas, e aí cabe o relacionamento com as pessoas (inclusive fazendo política, sim), organização, regras sociais, etc. Muitas vezes vejo que falta nas pessoas que se enquadram na generalização que você indicou o “estalo” para isso. Claro que aqui no Brasil não temos como algo comum um desenvolvedor ganhar mais do que um gerente, embora isso faça todo o sentido do mundo para mim, cada um deveria poder evoluir naquilo que é melhor, mas isso não quer dizer que não devamos evoluir nas demais áreas de conhecimento. O que seria de um arquiteto se ele não tivesse essas outras habilidades não técnicas?

Tiramos a certificação de ScrumMaster juntos, e vimos que existe gestão para os técnicos também, o autogerenciamento é justamente isso, a gestão é fragmentada entre o time, SM e PO. Vamos analisar agora o desenvolvedor, se numa reunião de planning poker ele não souber se comunicar muito bem com as pessoas, ele não só pode estar perdendo uma oportunidade de disseminar o conhecimento (inclusive técnico) como pode criar outros óbices desnecessários para o time. E isso é gestão e ele não deixou de ser técnico, Scrum mostrou que a figura do gerente de projetos que conhecemos hoje, tende a sumir mesmo, e eu acho que isso vai ser muito positivo, e também vai ajudar o sênior que deseja aprender sobre gerenciamento.  

O que acabará acontecendo é que a distância entre as competências de um gerente e um técnico tendem a diminuir, aproximando a melhor prática dos dois mundos. Isso não foi citado, mas muitas falhas em projetos ocorrem pelo problema oposto: o gerente que não tem a mínima noção de tecnologia e sequer é capaz de direcionar os esforços de negociação no caminho certo.
Como você, acredito muito na figura do SM, mas mesmo na realidade que temos hoje, dizer que gerenciamento não tem nada a ver com desenvolvimento de software não é de todo verdade, na minha opinião claro.

Abraços,

Leandro Daniel

http://reverb.leandrodaniel.com/http://reverb.leandrodaniel.com/


maio 7. 2009 03:10
Giovanni Bassi
Leandro, num planning poker o membro do time discute tecnicamente. É muito diferente de uma reunião gerencial com o RH, por exemplo.
Acredito na personalidade multifacetada, no entanto, ninguém consegue desenvolver duas coisas ao mesmo tempo e se aprofundar nas duas. Não dá para ser um excelente gestor de pessoas, participando em seminários, discussões, eventos, e o mesmo para a parte técnica. E isso é normal.
O GP tradicional é um administrador. É diferente do líder técnico. O GP nem sequer precisa conhecer tecnologia... Tenho uma grande amiga que trabalhou um tempão na IBM com GP, e ela é formada em administração. Continua como GP agora em outra empresa.
Você codifica de casa, gosta do assunto, é algo que te dá prazer. Porque não aliar isso ao seu trabalho? Quer coisa melhor que trabalhar no seu hobby?
[]!

http://unplugged.giggio.net/http://unplugged.giggio.net/


Brazil Diego S. Lima
maio 7. 2009 09:05
Diego S. Lima
Esse post abriu minha mente, Trabalho em uma usina de Alcool, e sempre recebemos visitas de programadores dos nossos sitemas de Gestão, e um deles (um bom programador, diga-se de passagem), me falou que estava pensando em fazer um curso de gerenciamento de projetos, para ser um dos gerentes de projeto da empresa, acredito que ele não tenha esse conseito passado pelo Giovanni e sim a que eu também tinha. Eu também fiquei muito interessado, pois acredito que o nome "Gerente" tem um certo peso. Na minha cabeça Gerente de projeto era aquele cara que se no projeto tivesse uma equipe de desenvolvimento em C#, e outra em JAVA, o gerente teria que ser o cara que entendesse das duas linguagens, e ainda dominar o banco de dados. Pois caso a equipe tivesse algum problema no desenvolvimento, ele seria o cara que acabaria com todas as duvidas. Mas depois disso acho que acabei com minhas duvidas e acredito que nunca serei um GP, pois gosto muito de Programar, realmente meter a mao na massa

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Brazil Jessé Haniel
maio 7. 2009 09:20
Jessé Haniel
Olá Giovanni. Há um tempo acompanho seu blog e acho muito interessante. Meu currículo ainda está bem aquém comparado ao de muitos que frequentam este espaço. Mas, esse post foi realmente pertubador.
Concordo com você. Trabalhei em algumas empresas em que os bons gerentes não foram os que dominavam tecnologia, mas aqueles que eram bons gestores. Ou seja, mais administradores do que desenvolvedores (estou apenas contando uma experiência).
Acredito que na maioria dos casos, quando alguém defende o gerente/desenvolvedor está defendendo algo que vem desempenhando. Isso não é bom. Que tal ser mais imparcial?
O que na verdade o desenvolvedor que quer "crescer" poderia fazer (e acredito que esteja sendo confundido com gerente) seria um papel de consultor ou (me corrija se eu estiver falando besteira) arquiteto. Alguém num papel mais abstrato na solução do que o desenvolvedor.
Também sinto que há um preconceito com o papel de desenvolvedor, como se ele fosse um nível muito básico. E subir na carreira seria abondanar essa atividade. Será?

Abraços
Jessé Haniel
(parabéns pelo blog)

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maio 7. 2009 10:02
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maio 7. 2009 10:25
José Filipe
Giovanni,

Acompanho seu blog há algum tempo e seus posts são realmente muito interessantes. Não que eu concorde com todas suas afirmações (normalmente 8 ou 80 Smile), mas acho realmente importante existirem pessoas defendendo extremos, o que permite a cada um tirar suas próprias conclusões.

Neste assunto em específico concordo, em muito, com o comentário do Leandro Daniel. Acredito que sim, programador/desenvolvedor/projetista/arquiteto é uma profissão muito, mas muito diferente de GP, e são profissões que requerem skills realmente diferenciadas.

Quanto você cita as características esperadas de um programador e de um GP, entretanto, discordo em grande parte. Dizer que "só" um GP deve saber comunicar-se, ser organizado e saber liderar pessoas, pra mim, é fazer apologia à figura do desenvolvedor brucutu com óculos fundo de garrafa que não consegue passar uma idéia para o colega do lado, quiçá para a equipe inteira em um workshop técnico. Nada pessoal, mas eu realmente não quero pessoas assim trabalhando no meu time de desenvolvimento! Pode fazer o trabalho como poucos, utilizar patterns como ninguém e dar um baile em .NET, mas do que me adianta se ele não consegue passar esse conhecimento a frente por falta de capacidades sociais ou falta de organização? Se ele optou por viver dentro de sua própria concha e trabalhar somente suas habilidades técnicas (sim, habilidades sociais podem ser trabalhadas também!), boa sorte..

Já quanto ao GP, apesar de eu concordar com você no ponto dele ter que ter habilidades de comunicação e organização muito mais apuradas, defendo que os mesmos tenham que ter um expertise técnico mínimo para gerenciar um projeto relacionado. Isto é bastante complicado, principalmente em projetos grandes, mas ter alguém que em toda reunião de verificação de cronograma precisa de uma aula para entender o atraso de uma tarefa não é nada produtivo! Subsidiado por isto, sustento que raciocínio rápido é mais uma das qualidades que serve aos dois lados da moeda em discussão.

Juntando as duas partes, concordo que não é pertinente existir uma linha de carreira que leve um profissional de programador a gerente de projetos. São áreas diferentes, e nunca havia pensado na sua afirmação de que GP não deveria ser ensinada em cursos de TI - confesso, acho-a bastante pertinente. Tanto na minha graduação quanto na pós que estou fazendo em Engenharia de Software ambas disciplinas são ministradas (e invariavelmente existem alunos que odeiam uma e amam outra, exatamente por seu perfil). Talvez o que nos faça manter esta percepção seja exatamente o ponto ressaltado sobre remuneração ou "maiores aspirações", como defendido por alguns em posts (que eu não concordo). Acredito que quando dizemos que no Brasil não é comum um desenvolvedor ganhar mais que um GP estamos explicitando uma hipocrisia em torno da "carreira em Y" tão vendida nas empresas, mas que muitas vezes não é nada mais que hipocrisia da alta direção para manter o pessoal técnico na política do pão e circo..

Pra finalizar, porque já me estendi demais e isto é só um comentário e não um post! Smile O assunto é demasiadamente complexo e cheio de variáveis pra existir uma verdade absoluta. Conheço desenvolvedores que hj são ótimos GPs bem como conheço outros que são GPs medíocres. Trabalho numa função que não envolve GP diretamente (não suportaria, MS Project e documentos de visão me dão náuseas), mas divido meu tempo entre atividades técnicas e reuniões com clientes e a preocupação em manter o lado técnico e o lado "administrativo" realmente consome muita energia. Na verdade, me pego muitas vezes pensando e repensando qual a linha a seguir, mas os atrativos dos dois lados parecem interessantes: ficar o dia inteiro em reuniões, Word e Outlook realmente não me parece a profissão dos sonhos, mas VS e F5 dia e noite, incluindo sábados (grande Saturday Night Code!) é partir demais pro outro extremo.

"Trabalho pra viver, e não vivo pra trabalhar", e assim a vida segue.. Smile

Abraços!

José Filipe

http://addwatch.wordpress.com/http://addwatch.wordpress.com/


Brazil carlos
maio 7. 2009 23:32
carlos
Tinha comentado no post anterior mas acredito que não foi postado.

Como você falou concordo que um gerente não é um líder técnico. Existem boas alternativas para engenheiros dedicados. Laughing
Muito interessante o texto concordo plenamente, me atentei a esse problema lendo no excelente blog de pcalcado:

"... Mas e o gerente? Uma das piores coisas que podem fazer em uma empresa é promover um bom técnico à gerente (coordenador, o que for) apens porque ele está há muito tempo na casa. Querem estimular a pessoa? Transormem ele em um líder técnico, aumentem o salário do sujeito e o deixem em paz.

Gerência não é brincadeira. Não é porque alguém programa muito bem que vai ser um bom gerente. Se você é desenvolvedor mas sonha em dizer para a paquera no barzinho que é gerente de algo (nem que seja do McDonald’s) invista nisso. Aprenda sobre liderança, sobre mercado, plano de negócios, fluxo de caixa, lean e todas as dezenas de disciplinas envolvidas. Vai levar um tempo.

Só não encare isso como uma evolução. Você está saindo da carreira de técnico, não evoluindo. Considerando que conseguir bons salários como técnico é raro pode ser uma boa escolha, mas nem sempre é. Se você é um bom técnico existem opções…"

link original (blog.fragmental.com.br/.../)

no site


maio 8. 2009 10:17
Ramon Durães
O grande desafio para gerenciar projetos de software é ter experiência com todo o ciclo de desenvolvimento. E isso você não consegue em um curso de administração. Na nossa área as pessoas que tiveram esse background anterior fazem a maior diferença, pois já conhecem como as coisas funcionam.

Grande parte dos técnicos não se encaixam no perfil de gestores porém é uma coisa que ele pode aprender e melhorar com os estudos conforme você mesmo já citou aperfeiçoando as capacidades de liderança e gestão.

http://www.ramonduraes.net/http://www.ramonduraes.net/


maio 8. 2009 16:25
Ricardo Oneda
Oi Giovanni, tudo bem?

Acredito que os dois posts deram enfoques diferentes para o assunto. O primeiro, passou a idéia de quem é desenvolver vai ser desenvolvedor até o fim da vida. O mesmo ocorrendo com o Gerente de Projetos. Bem, não há problema nenhum em alguém gostar tanto de fazer algo a ponto de fazê-lo até o fim da vida, mas também não vejo problemas se a pessoa, no meio do caminho, descobrir ou desenvolver outras habilidades que permitam fazer outra coisa, e não necessariamente porque está ganhando pouco ou porque não gosta do que faz. É normal, as pessoas mudam, o mundo muda, tudo muda. É claro que não é fácil e nem da noite para o dia que uma pessoa vai adquirir novas habilidades e competências. Vai ser um processo gradual, mas que eu acho perfeitamente possível, desde que a pessoa tenha plena consciência de onde está se metendo. Talvez ela não chegue ao mesmo nível que ela tinha na função anterior, mas isso não quer dizer que vai ser um desastre completo.

Sobre o segundo post, concordo quando você diz que não dá para fazer as duas coisas, codificar e gerenciar projetos, ao mesmo tempo. Se isso acontece, nenhuma das duas atividades sai bem feita. Também concordo que gerenciar não é mandar. Infelizmente, a maioria das pessoas querem se tornar chefes para mandar, e não para facilitar o trabalho das outras pessoas, que é o que um gerente (ou líder) deve fazer, na minha opinião.

Mas discordo um pouco quando diz que a Gerência de Projetos não tem nada a ver com desenvolvimento de software e que não deveria fazer parte dos currículos de cursos de TI. Vejo que cada vez mais é exigido das pessoas que trabalham com TI outras habilidades não-técnicas. Isso significa que a pessoa deixará de codificar para virar gerente de projeto? Não necessariamente. Só acho que ter uma visão de outras disciplinas não-técnicas é importante para a formação profissional, mesmo que a pessoa não a utilize diretamente em seu trabalho. Nós, da área de TI, gostamos de nos ater aos detalhes das tecnologias e, muitas vezes, negligenciamos outros aspectos. Corre-se o risco de nos isolarmos cada vez mais em nosso "mundo", quando o que deveria ocorrer é justamente o contrário. Isso acaba dando margem para "aproveitadores" aparecerem e começarem a vender suas idéias, que muitas vezes não tem nada a ver com a área de TI em si. Por isso, também acho importante que o gerente de projeto também deve ter uma experiência prévia de TI, para não cair de pára-quedas. Não é obrigatório, mas acredito que ajude.

Por fim, também acredito que a figura de gerente de projetos de comando-e-controle, como o chefe mandão, está com os dias contados, pois como você disse, é improdutivo. Mas será que eles não surgiram justamente porque a TI não deu uma resposta à altura aos problemas que ocorrem? Esses são os "aproveitadore" aos quais me referi acima. Se nós de TI não fôssemos tão fechados em nosso "mundo", talvez esse tido de situação não teria ocorrido. Infelizmente, acho que esse tipo de função ainda vai persistir por um bom tempo, principalmente nas grandes empresas, que são mais conservadores e onde "novidades" como metodologias ágeis ainda estão meio distantes. Mas torço para que isso mude logo.

http://oneda.mvps.org/bloghttp://oneda.mvps.org/blog


Brazil Fabio Lopes
maio 11. 2009 02:00
Fabio Lopes
Facinante! Muito bom refletir sobre isso, Concordo plenamente com Giovanni, pq existe esse paradgima de que o programador sempre ganha menos que gerente de projetos, e para ganhar mais tem que virar gerente e ai estraga tudo porque não vai estar fazendo o que realmente é bom e gosta de fazer.
Um Ótimo exemplo dessa situação é o filme que assisti hoje 'StarTrek', na historia existe um personagem chamado Spok, um exelente fisico e desenvolver de sistemas, em uma cena teve que assumir o controle da nave em uma situação de hierarquia de poder e não de afinidade, ele ia matar toda a tripulação da nave, se não fosse um cara chamado James T. Kirk exelente Capitão, que quando assumui o controle da nave conseguiu salvar toda tripulação. Representação perfeita de trabalho em equipe e amaor pelo profissão. O filme muito bom! Vale a pena assistir com esses olhos.

no site


maio 11. 2009 17:49
spoky
eu adoro programas
meu único receio é que eu fique menos eficaz com o tempo e o mercado passe a me rejeitar

http://www.sharpcode.com.br/blogs/spokyhttp://www.sharpcode.com.br/blogs/spoky


Brazil Jéferson Spencer
junho 18. 2009 15:30
Jéferson Spencer
Oi Giovanni tudo bom?

Queria deixar apenas meu comentário aqui pois estive estudando exatamente sobre o que você falou nos métodos ágeis de auto-gerenciamento: Estive conversando com meu professor que é sócio de uma empresa de informática aqui no RS, Gerente de Projetos e consultor de GP.

Na empresa dele um projeto está utilizando Métodos Ágeis e ele me comentou, e me convenceu, que este auto-gerenciamento só é possível com equipes sêniors pois existem muitos profissionais em nosta área que não estão acostumados a se gerenciarem de forma autônoma. Isto ocorre muito desde nosso tempo de escola (quem realmente cuidava em dividir bem o seu tempo pra estudo e o seu tempo pra lazer? Quem estudou sempre desde o primeiro semestre da faculdade antes das provas?). São perguntas assim que me convencem que os métodos ágeis vieram pra ficar mas existem casos que eles não podem ser aplicados então o GP vai continuar existindo o que tende a acabar é o gerente que só sabe mandar como conhecemos vários.

Enfim acho que é isso.

no site


junho 20. 2009 01:44
Giovanni Bassi
Jéferson, discordo. Um profissional jr pode até ser mais fácil, porque se adapta melhor. Ninguém que trabalha com agilidade direito a um bom tempo defende essa tese.

http://unplugged.giggio.net/http://unplugged.giggio.net/


Brazil Marcio Vasconcellos
junho 22. 2009 17:23
Marcio Vasconcellos
Acho que a uma pequena confusao em lider e gerente que ao meu ver e bastante diferente. O fato de voce ver tecnicos querendo ser gerente alem dos fatos que voce disse, eu vejo tb os gerentes serem bastante antiquados e qualquer pessoa com 24 que ve um gerente cobrar as 8h de um dia de trabalho sabendo que a qualquer momento vai querer que ele trabalhe 12h, bloquei de internet e etc, se ache no direito de fazer um servico melhor que o dele.

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Quem é Giovanni Bassi

Giovanni Bassi Sou uma pessoa apaixonada por tecnologia e especificamente por .Net. Sou consultor independente especialista em .Net, focado em arquitetura e melhores práticas. Tenho dezenas de artigos publicados na .Net Magazine, revista da qual sou editor técnico. Ministro palestras e cursos de vez em quando, e quando dá tempo eu respiro um pouco. Mais detalhes nesta página.

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