O Lula, como todos sabem, esteve na última edição da Fisl, que aconteceu semana passada. E como sempre, discursou de improviso. O discurso está no site do planalto a disposição de quem quiser ouvi-lo.

Por volta dos 3 minutos e quinze segundos, ele solta esta pérola:

"Agora que o prato está feito, é muito fácil a gente comer. Mas fazer esse prato não foi brincadeira. Eu lembro da primeira reunião que nós tivemos na Granja do torto, porque eu não entendia absolutamente nada da linguagem que esse pessoal discutia, e houve uma tensão imensa entre aqueles que defendiam a adoção no Brasil do Software Livre e aqueles que achavam que nós deveríamos fazer a mesmice de sempre, de ficar no mesmo jeito, comprando e pagando a inteligência dos outros. E graças a Deus permaneceu no nosso país a questão e a decisão do software livre. (urros de alegria na platéia)

Porque nós tínhamos que escolher, ou nós íamos pra cozinha preparar o prato que nós queríamos comer, com esse tempero que nós queríamos colocar e dar um gosto brasileiro na comida, ou nós iríamos comer aquilo que a Microsoft queria vender pra gente. E prevaleceu simplesmente a idéia da liberdade."

Antes de continuar, temos que lembrar que o Lula não é bobo. Ele agracia a platéia com que fala. Se forem economistas fala de um jeito, se for o MST fala o oposto. Sempre fez isso, e não é agora que ia mudar. Além disso, já disse muita besteira de improviso. Essa não é a primeira vez que o freio não segura sua língua.

Diante disso, e apesar disso, acho inadmissível o presidente de um país se colocar de tal forma. Ele foi populista (como sempre), e, em vez de entrar no bom debate, preferiu descer para o nível mais baixo para agradar a horda que o ouvia.

Eu gostaria de saber qual era o "prato" que a Microsoft queria vender ao Lula. Porque eu vendo muitos pratos da Microsoft, e meus clientes estão todos muito satisfeitos. Não entendo porque o governo deve desconsiderar, nas palavras do presidente, qualquer "prato" que seja, simplesmente por questões ideológicas. E vejam bem, são ideológicas, e não morais. Não estamos discutindo aborto, eutanásia ou pena de morte, e sim qual a plataforma mais efetiva para a implantação de um sistema. Isso não se resume a uma receita de comida, como o presidente tentou reduzir o assunto. O debate é técnico e econômico, e não filosófico ou moral.

No começo ele menciona a mesmice de sempre, onde se compra propriedade intelectual. Oras, o próprio governo faz isso o tempo todo. Os remédios que o governo compra também são protegidos por propriedade intelectual, mas as poucas vezes em que investimos na quebra deste tipo de propriedade fomos duramente criticados. O modelo de desenvolvimento de remédios, muito parecido com o de software, precisa de investimentos. É o pagamento por um remédio que financia o desenvolvimento do próximo. Da mesma forma, é o pagamento por um software que financia o desenvolvimento do próximo.

Já senti vergonha deste governo atual muitas vezes. Quando dá guarida a um terrorista italiano, quando não critica a pseudo-democracia venezuelana, quando quase apóia as FARC, quando entrega pedaços da Petrobrás de graça para a Bolívia, quando apóia o regime iraniano, quando manda embaixadores para a Coréia do Norte… Na política nacional a última foi dizer que o Sarney não devia ser tratado como uma pessoa comum, jogando o artigo 5º da constituição no lixo. Não bastava ter criado o mensalão.
E agora mais um episódio.

Lamentável.


Postado na(s) categoria(s) Open Source , Outros , Polêmicas pelo giovanni bassi em 30 de junho de 2009 às 01:59 | Tags:

Comentários


Brazil Fabio Lopes
julho 1. 2009 00:56
Fabio Lopes
Muito triste ver tudo isso acontecendo!

Será que as coisas ainda não mudaram nada na cabeça de algumas pessoas e principalmente dos adolecentes e do Geeks Estudantes Universitarios.

Parece mais que Lula esta falando com bando de hackerzinhos ou que sedizem ser entendidos no nundo do "Não precisa pagar !!!".

Eu fazia apologia software livre, e vestia camiseta do Che Guevera, quando tinha 15 anos
A long time ago.... Achando que ia salvar mundo comuma versão de linux....

Ficção - Filho do presidente Lula, de 6 anos de idade, hackenado um internetbank e ficando milionario (usando linux, pq com windows não da porque ue é seguro!)

   Viva ao Open Souce !     Viva !      Viva!



no site


Brazil Fabio Lopes
julho 1. 2009 00:57
Fabio Lopes
Realmente muito triste, Lamentável....

no site


Brazil Leandro
julho 1. 2009 12:55
Leandro
Bom, o que eu acho lamentável é ver pessoas que não tem capacitação alguma estar discutindo ou comemorando sobre uma decisão técnica como essa, afinal de contas o único critério para decidirem o que é bom ou ruim que eles levam consideração é o gasto/economia, somente por isso eu acho que seja lamentável.

Agora entrando na questão técnica, eu acho que cada caso é um caso, tendo sua solução no mundo open ou proprietário e cabe aos técnicos decidirem qual o melhor rumo tomar. Tanto o software livre quanto o software proprietário podem co-existir(e co-existem hoje), cada um tem seu espaço e seus adeptos.

Eu sou adepto do mundo Open por motivos simples, primeiro porque eu acho que essa questão de ser Open ou não é um direito do autor e não um dever. NÃO ACHO que os softwares DEVAM ser Open, mas com certeza eles PODEM se os autores quiserem e isso é um direito dos autores, estou falando isso pois já vi muita gente reclamando de pessoas que distribuem suas propriedades intelectuais de graça ao invés de cobrar, porém essas pessoas se esquecem que o dinheiro não é a única forma de pagamento/satisfação para todos. Outro motivo do meu contentamento com o mundo Open é o fato de não precisar depender dos outros, você pode se perguntar "em que sentido?" e eu lhe digo através de um exemplo: Estou trabalhando em um projeto com WPF que utiliza uma parte de exibição de vídeo, porém o MediaElement tem um bug já conhecido pela MS (reportado no Microsoft Connect) e o que eu posso fazer para corrigir esse problema?? NADA, eu tenho que esperar sentado a MS resolver isso, COM CERTEZA ela vai resolver, mas eu vou precisar esperar até isso acontecer E ISSO ME INCOMODA DEMAIS, não quero depender dela para isso, aliás odeio depender de qualquer um. Já nas diversas ferramentas Open que já utilizei, quando encontrei problema eu simplesmente meti a mão no código e resolvi, ou até mesmo um comportamento que não me agrada em determinada ferramenta, eu meto a mão e adapto de forma que me agrade, e isso me incentiva a utilizar ferramentas Open, mas isso é uma questão muito pessoal, há pessoas que gostam de saber que existe uma equipe de suporte por trás que vai resolver o problema dela, sendo que para mim isso não basta e para pessoas como eu, o mundo Open é uma mão na roda.
Outra questão é que o mundo Open é uma ótima forma de se promover, vou citar só um exemplo que é o Hammet, que na época que nenhuma empresa privada se interessava em fazer um framework MVC para .net, ele fez o MonoRail entre outros projetos e hoje onde ele está? Chamou tanta atenção na comunidade que foi chamado pela MS. Olhando isso, vocês acham que o MonoRail e outros projetos da Castle realmente foram de graça?? Foi mais um investimento do que qualquer outra coisa...

Já falei demais, agora só para fechar e não pensarem sou um xiita do mundo Open, como foi dito ali em cima estou utilizando WPF(diga-se de passagem ótima senão a melhor API para interface gráfica e é proprietária), utilizo Visual Studio que é proprietário e uso também  Windows(diga-se de passagem o Windows 7 está foda demais...).
Ou seja, meu interesse é por tecnologia independente de ser proprietário ou Open, sendo mais tendencioso para o mundo Open pelos motivos explicados acima.

Mal aí pelo Post gigantesco.

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Quem é Giovanni Bassi

Giovanni Bassi Sou uma pessoa apaixonada por tecnologia e especificamente por .Net. Sou consultor independente especialista em .Net, focado em arquitetura e melhores práticas. Tenho dezenas de artigos publicados na .Net Magazine, revista da qual sou editor técnico. Ministro palestras e cursos de vez em quando, e quando dá tempo eu respiro um pouco. Mais detalhes nesta página.

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