Todos mundo que me conhece sabe que eu leio mais de uma centena de blogs. Sou viciado em informação, fazer o quê? Além disso leio livros, e busco me informar em fontes diferentes, inclusive aquelas contrárias ao meu ponto de vista.
Uma destas fontes é a revista Info. Assino a Info faz uns anos, e inicialmente era porque a considerava uma boa fonte de informação. Hoje considero que o que recebo via revista Info geralmente está desatualizado, e com frequência tem um viés pró-Google e pró-Open Source que vai além do aceitável. Não considero aceitável que um jornalista que publica matérias em um veículo do porte da Info, supostamente sem bandeira, ignore fatos em prol deste viés. E acontece o tempo todo. Esses são os motivos que não vou renovar minha assinatura assim que ela terminar: conteúdo pobre e desatualizado, e viés ideológico em um veículo supostamente isento.
Além disso, leio alguns blogs deles, que têm o mesmo viés, mas pelo menos não estão tão desatualizados. Na prática, eles são quase sempre opiniões sobre press releases e notícias que já saíram em outros veículos lá fora, e se você tiver estas fontes você fica sabendo da notícia antes da Info publicar (bem antes). Eu tenho algumas destas fontes, então leio os blogs deles mais pela opinião. E opinião é aquele negócio: todo mundo tem uma.
Recentemente li um post do Maurício Moraes, que mantém um blog chamado "Na linha do Google". O post é intitulado "Google parte para a guerra contra a Microsoft". Acho que o Maurício está uns 10 anos atrasado, porque já faz tempo que o Google partiu para a guerra contra a Microsoft, e ela contra ele. Mas enfim, no post o Maurício coloca que agora o Google colocou atalhos para o Google Docs, Calendar e Gmail no Google Pack, e agora a Microsoft está com o Office ameaçado (agora vai!!!). Como se o Google Pack fizesse uma grande diferença, e fosse adotado por todo mundo. O Maurício esqueceu, propositadamente, que o Chrome também está na lista do Google Pack e ele não passa de 1% desde que o boom do lançamento passou. Sabendo disso, o que será que o levou a conclusão de que o Pack vai fazer qualquer diferença? Se estivéssemos falando da adoção do Silverlight, que está absurdamente rápida… mas não estamos.
Em seguida ele lembra que alguns governantes insistem em "economizar" colocando pinguins e OpenOffice. Ele esquece de mencionar que o os tais governantes geralmente são os populistas esquerdistas latino-americanos, e que a reclamação em países levemente desenvolvidos, iniciada pelos EUA, recaia sobre a falta de padrões abertos em softwares governamentais, o que fez a Microsoft, e diversas outas empresas, a passar a adotá-los onde ainda não o faziam. Com a aprovação do OpenXML como padrão internacional, esse argumento contra o Office caiu. Ele esquece ainda as dezenas de relatórios produzidos por consultorias independentes de todo tipo que mostra que o TCO (Total Cost of Ownership, ou custo total de propriedade) de um software livre é igual o maior que o de um proprietário, ou seja: Pinguim custa mais que Windows, não para comprar, mas para usar. Que já viu um CPD com Linux sabe disso.
O engraçado é que a Abril, que publica a Info, é claramente anti-esquerda no seu maior veículo, a Veja, maior revista de publicação brasileira, e uma das maiores do mundo. Quanto tempo vai levar até algum diretorzão perceber e essa galera ser lembrada que são as empresas que levam o mundo à frente, e não os governos e suas maluquices?
Isso tudo me levou a fazer um comentário lá no blog, que acho que podia até ter sido melhor escrito, mas como eu o fiz muito rapidamente ficou como ficou. Estou voltando lá para ver se tive resposta. E quando volto, aproveito para ler os outros comentários (o negócio não tem RSS… inacreditável). É engraçado ver que não é só o Maurício, mas os leitores (que devido ao viés são mais e mais freetards - como chama o grande Linux hater blog) insistem em tomar a esta atitude, quando alguma evidência que contraria sua ideologia lhes é apresentada:

Vejam um trecho de um comentário risível:
"O problema é que a comparação entre Google e Microsoft é bastante difícil uma vez que o primeiro desenvolve seus produtos utilizando padrões abertos largamente adotados pela indústria, diferente da Microsoft. Isso permite dentre outras coisas um ambiente mais saudável de competição e interoperabilidade com soluções de terceiros. Diferentemente a Microsoft se esconda por trás de um monopólio construído com a adoção de padrões proprietários e incompatíveis, inclusive entre si (soluções da própria Microsoft), para chantagear fornecedores de hardware, software e manter o usuário aprisionado a sua plataforma."
Tem tantos absurdos aí no meio que não sei nem por onde começar. O cidadão "esquece", ou simplesmente ignora, que já faz uns anos que a Microsoft trabalha forte com padrões de mercado. O já citado OpenXML é um exemplo, mas há outros. Toda a plataforma Azure está sendo desenvolvida baseada em REST, que foca em Javascript (aberto), XML (aberto) e HTTP (aberto). O tempo todo a Microsoft assina acordo de interoperabilidade, como o fez com a Suse, e agora com a RedHat. Mantém ainda um contingente razoável para focar em interoperabilidade, além de pessoas de comunidade só para poder ouvir as reclamações vindas do mundo Open Source dar seu ponto de vista.
Eu gostaria muito de saber qual o padrão da Microsoft que é incompatível nas suas próprias soluções. Um cara que fala isso não conhece nada do processo de desenvolvimento dos produtos da empresa. É um aburdo sem tamanho, e estivesse ele na minha frente eu não teria conseguido disfarçar a gargalhada. Que piada!
Além disso o cidadão vive na década de 90, quando realmente a Microsoft foi muito criticada e até multada por práticas que impediam a competição, em contato com provedores de hardware. Só que isso já passou há muitos anos, e o cara, na falta de argumentos melhores, quer viver no passado.
Sabe o que eu acho disso tudo? Acho ótimo. Quer instalar LAMP? Instala. Eu vou no seu concorrente e instalo uma solução Microsoft. Em pouco tempo ele estará mais competitivo que você, e eu saio com um caso de sucesso!
Esse monte de baboseira, onde um ideólogo de fundo de quintal ignora fatos, dando lugar à sua visão estreita, chama-se em inglês "Confirmation Bias", algo como "Viés de confirmação". Neste comportamento, o cidadão ignora qualquer informação contrária ao que acredita, ficando esses poços de parcialidade que vemos nos comentários da revista Info. E é um ótimo caminho à obsolência.
Quer saber? Vão lá e lembrem o pessoal que não adianta andar com um olho fechado, tem que abrir os dois. Façam valer sua voz.