Estava conversando com um cliente sobre um projeto. Ele me contava que tinha um desenvolvedor sênior trabalhando em algo importante para a empresa.

Perguntei:
- Sênior mesmo? - como quem já desconfia quase sempre que algum desenvolvedor de .Net se declara sênior…
A resposta dele:
- É, sênior, ele é um cara sério, está estudando e quer até virar gerente de projetos.
Minha resposta:
- Você está com problemas.

Se você tem um desenvolvedor na sua equipe que "quer virar" gerente de projetos você está com problemas. Sabe porque? Porque há apenas duas possibilidades para a origem desta aspiração:

  1. Ele não gosta do que faz agora, ou;
  2. Ele acha que ganha pouco.

Em qualquer dos casos você tem um problema na mão. Um problema que tem que ser resolvido.

Se for o segundo caso, o problema não é só seu ou da sua empresa. No Brasil entende-se que o superior hierárquico tem que ganhar mais que o subordinado, por diversos motivos que não vale a pena entrar agora. Não se admite que o "recurso do projeto" ganhe mais que o arquiteto ou que o gerente do projeto (deste muito menos, ele até usa gravata!). Não há o que fazer, uma pessoa do seu time quer ganhar mais, e a não ser que você queira inverter a maneira natural de pensar do brasileiro, você vai ter que deixar ele fazer algo que ele não gosta, não quer, ou não tem talento para fazer, para que ele possa ganhar mais. Afinal, esta é a única maneira de ganhar mais em alguns casos. Isso é um problema para você porque você vai perder um bom desenvolvedor, e a empresa vai, em geral, ganhar um mau gerente. Mais comum impossível. Quem não conhece um gerente sem a menor qualidade para gerenciar pessoas que era um bom técnico?

Se for o primeiro caso, então a empresa tem a oportunidade de ganhar um bom gerente. A má notícia é que você tem alguém no time que joga no Flamengo e está namorando o Real Madrid, ou seja, está com a cabeça em outro lugar. E, pior, trabalha sem emoção, sem paixão, sem envolvimento, já que o trabalho atual é só um meio de ele chegar aonde vai fazer o que realmente gosta. Há duas opções neste caso: você vê potencial e promove o cara, e deixa a empresa feliz com seu novo gerente. Ou manda ele virar gerente em outra empresa, já que você precisa mesmo é de um desenvolvedor.

Em resumo: o cara quer ganhar mais, e você perdeu um desenvolvedor e ganhou um mau gerente; ou o cara não gosta do que faz e você perdeu um desenvolvedor e a empresa pode ou não ganhar um bom gerente.

Como eu disse, em qualquer dos casos você está com problema: você vai perder um desenvolvedor. Que seja mais cedo do que mais tarde.


Postado na(s) categoria(s) Carreira , Gestão de projeto pelo giovanni bassi em 6 de maio de 2009 às 10:08 | Tags:

Comentários


maio 6. 2009 10:40
Ricardo Cunha
Olá Giovanni,

Concordo que Gerente de Projetos e Desenvolvedor são cargos bem distintos, agora ser cético ao afirmar que quando um desenvolvedor deseja se tornar um gerente é porque não gosta do que faz ou mesmo acha que ganha pouco, vai totalmente contra, na minha ótica, aos principios natuaris de evolução dentro na nossa área de atuação.

Não estou dizendo com isto que é natural um desenvolvedor tornar-se um GP. O que estou afirmando é que GP é um cargo de confiança e confiança leva tempo para se adquirir.

Uma experiencia própria:

Conheço alguns diretores em grandes empresas e a maioria deles foi Office-boy quando jovens antes de tornarem-se diretores, o que dizer destes jovens quando almejavam tornar-se os diretores da empresa? Eles não gostavam do que faziam e por isto vão se tornar maus diretores?

Concordo que na prática existem muitos maus gerentes, mas o fato é, são assim porque não buscam a excelencia, não buscam atuar utilizando principios básicos que são garantia de sucesso, por talvez acharem estes princípios básicos demais... em fim... é uma outra discussão.

Abraços!

Ricardo Cunha

http://rs-cunha.blogspot.com/http://rs-cunha.blogspot.com/


maio 6. 2009 10:49
Giovanni Bassi
Ricardo,
No seu cenário, é justo o contrário. Um office boy nesta condição está no meu item número 1. Ele não gosta do que faz, e por isso pode se tornar um bom diretor no futuro, porque isso ele gostaria de fazer. Mas a questão não é essa, não é o que ele vai ser, mas o que ele é agora. A questão é que você tem um office boy que não gosta do que faz, e isso é ruim.

http://unplugged.giggio.net/http://unplugged.giggio.net/


Brazil Vagner de Araujo
maio 6. 2009 10:51
Vagner de Araujo
Giovanni, descordo da tua colocação.
Sou desenvolvedor ha bastante tempo, adoro o que faço e não acho que sou mal remunerado, porém, também tenho aspiração de cargo gerencial, estou fazendo especialização para tentar galgar níveis superiores.
Não por descontentamento ou por achar ser mal remunerado, simplesmente, porque quero novos horizontes.
Aspirar novos horizontes não é estar descontente com o patamar atual.
Cuidado com as generalizações elas podem lhe complicar ante o cliente.
Você pode ter lançado desconfiança sobre um bom profissional, simplesmente por ter generalizado

no site


maio 6. 2009 12:33
Rodrigo Vieira
Acho que na maioria dos casos é porque nós brasileiros aceitamos como se fosse uma lei natural do universo que o único jeito de ser bem-sucedido na vida é ser promovido, e finalmente ser "chefe". Não importa de quê, mas tem que ser chefe de alguma coisa, ter um título. A idéia de um desenvolvedor puro, um engenheiro puro de 45 anos nos parece estranhíssima, embora isso seja muito comum lá fora (como disse uma vez lá no .NET Architects: os desenvolvedores do Office, do SAP, com certeza não têm 25 anos).

Igual nós brasileiros não entendemos muito como em países como a Alemanha e a Finlândia um cara que era excelente aluno, tenha ganho bolsa na faculdade etc decida como opção de vida virar pintor ou motorista de ônibus, no Brasil a gente acha que alguém só segue essas profissões pq não conseguiu coisa melhor.

Mas, voltando ao caso que vc mencionou, acho que pode existir sim uma terceira possibilidade, do cara gostar do que faz, estar satisfeito com o salário agora, mas que quer também um novo desafio a médio prazo, ele vê o que o GP faz e acha que tb ia ser um bom GP. Não acho que tenha que significar que ele não gosta do que faz agora, a gente pode gostar de duas coisas ao mesmo tempo.

http://blog.rodbv.com/http://blog.rodbv.com/


Brazil Carlos
maio 6. 2009 17:11
Carlos
Opa, blz ?
Giovanni não concordo com o que você prega, achei meio generalizado, pelo seguinte motivo..
Sou Arquiteto de soluções .NET trabalho com .Net desde o lançamento e venho me aprofundando cada vez mais. "EU" me considero um ótimo arquiteto e desenvolvedor estou super satisfeito com o que eu faço me sinto muito bem, mas faço MBA em gestão de projetos, tenho muito vontade em me tornar um no final do ano, estudo para a certificação PMP e quero passar na prova..
O que quero dizer com isso !? Estou satisfeito com o que eu faço mas, quero mais para mim, acho que a gerência de projetos tem um leque grande de atuação e tenho vocação para isso, quero me tornar um, mas não estou insatisfeito ou deixo de fazer bem meu trabalho por causa disso... O mesmo caso do seu cliente, as vezes o cara não está insatisfeito ele quer apenas "crescer" , pois indenpendente de onde quer chegar, se luta por isso e consegue você cresce...
Abraços
Carlos

no site


maio 6. 2009 23:21
Ricardo Oneda
Eu concordo com o comentário do Rodrigo. No Brasil temos essa idéia mesmo de que a pessoa só "cresce" se subir na hierarquia. Se a pessoa é desenvolvedora por muito tempo, já é rotulado de acomodado ou de "fracassado", quando muitas vezes a pessoa é ótima e gosta daquilo que faz. Nesses casos, acredito que uma carreira em Y pode ser uma alternativa, pois a pessoa pode continuar evoluindo em uma carreira técnica, evitando o caso clássico de um ótimo técnico que se torna um péssimo gerente.

Sobre a pessoa querer se tornar gerente de projeto no futuro, não vejo problema, desde que seja uma opção consciente, e não uma decisão tomada em virtude dela achar que chegou no "topo" da carreira técnica. Se for algo que ela aspira, ótimo. Agora, se for por falta de opção, então realmente há um problema...

http://oneda.mvps.org/bloghttp://oneda.mvps.org/blog


maio 7. 2009 01:00
Giovanni Bassi
Pessoal, em virtude dos comentários, que achei muito pertinentes, fiz outro post.

http://unplugged.giggio.net/http://unplugged.giggio.net/


maio 7. 2009 10:02
pingback
Pingback from pabloidz.wordpress.com

links for 2009-05-07 « pabloidz

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Brazil carlos
maio 7. 2009 23:24
carlos
Muito interessante o texto concordo plenamente, me atentei a esse problema lendo no excelente blog de pcalcado:

"... Mas e o gerente? Uma das piores coisas que podem fazer em uma empresa é promover um bom técnico à gerente (coordenador, o que for) apens porque ele está há muito tempo na casa. Querem estimular a pessoa? Transormem ele em um líder técnico, aumentem o salário do sujeito e o deixem em paz.

Gerência não é brincadeira. Não é porque alguém programa muito bem que vai ser um bom gerente. Se você é desenvolvedor mas sonha em dizer para a paquera no barzinho que é gerente de algo (nem que seja do McDonald’s) invista nisso. Aprenda sobre liderança, sobre mercado, plano de negócios, fluxo de caixa, lean e todas as dezenas de disciplinas envolvidas. Vai levar um tempo.

Só não encare isso como uma evolução. Você está saindo da carreira de técnico, não evoluindo. Considerando que conseguir bons salários como técnico é raro pode ser uma boa escolha, mas nem sempre é. Se você é um bom técnico existem opções…"

link original (blog.fragmental.com.br/.../)

no site


maio 8. 2009 10:10
Ramon Durães
Eu valorizo os profissionais que buscam o crescimento da carreira, pois estão sempre atualizados e pensando fora da caixa. O empregador tem que atuar forte para oferecer condições de motivação em sua equipe.

http://www.ramonduraes.net/http://www.ramonduraes.net/


Brazil Fabio Lopes
maio 11. 2009 01:56
Fabio Lopes

Facinante! Muito bom refletir sobre isso, Concordo plenamente com Giovanni, pq existe esse paradgima de que o programador sempre ganha menos que gerente de projetos, e para ganhar mais tem que virar gerente e ai estraga tudo porque não vai estar fazendo o que realmente é bom e gosta de fazer.
Um Ótimo exemplo dessa situação é o filme que assisti hoje 'StarTrek', na historia existe um personagem chamado Spok, um exelente fisico e desenvolver de sistemas, em uma cena teve que assumir o controle da nave em uma situação de hierarquia de poder e não de afinidade, ele ia matar toda a tripulação da nave, se não fosse um cara chamado James T. Kirk exelente Capitão, que quando assumui o controle da nave conseguiu salvar toda tripulação. Representação perfeita de trabalho em equipe e amaor pelo profissão. O filme muito bom! Vale a pena assistir com esses olhos.

no site


maio 16. 2009 17:52
Alliston Carlos
Concordo com o Ramon: pessoas que buscam crescimento pessoal devem ser valorizados. Se uma pessoa não gosta do que faz, nada mais justo do que querer mudar. Seria totalmente estupidez querer continuar em uma coisa que você não gosta. Agora, discordo que quem possui um desenvolvedor que quer se tornar GP está com problemas. Pelo contrário, ele vai ganhar um forte aliado! Muito melhor ganhar um GP já conhecido do que perder um desenvolvedor de longa data para outra empresa. Quem tem motivação para crescer, vai crescer, com certeza, seja onde se está ou em outro novo lugar

http://allistoncarlos.spaces.live.com/http://allistoncarlos.spaces.live.com/


maio 16. 2009 18:08
Alliston Carlos
Concordo com o Ramon: pessoas que buscam crescimento pessoal devem ser valorizados. Se uma pessoa não gosta do que faz, nada mais justo do que querer mudar. Seria totalmente estupidez querer continuar em uma coisa que você não gosta. Agora, discordo que quem possui um desenvolvedor que quer se tornar GP está com problemas. Pelo contrário, ele vai ganhar um forte aliado! Muito melhor ganhar um GP já conhecido do que perder um desenvolvedor de longa data para outra empresa. Quem tem motivação para crescer, vai crescer, com certeza, seja onde se está ou em outro novo lugar

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julho 23. 2009 12:05
Philip Stein
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